Seminário sobre Família Acolhedora aborda traumas na infância com público de mais de 200 pessoas
Soberana News
Seminário sobre Família Acolhedora aborda traumas na infância com público de mais de 200 pessoas
Os paradigmas e as formas de se relacionar com crianças e adolescentes marcados pelo trauma foi tema central do Seminário Municipal sobre o Serviço de Família Acolhedora, que reuniu mais de 200 pessoas na tarde desta segunda-feira (1) no Adamastor. O evento chama atenção para o Dia Mundial do Acolhimento Familiar, celebrado em 31 de maio, e foi realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Proteção e Defesa Civil em parceria com o Instituto Forte.
A chefe da Divisão de Alta Complexidade da SDS, Márcia Smerdel, afirmou que esse movimento pela proteção de crianças e adolescentes, que envolve o Serviço de Família Acolhedora, não pode ser deixado de lado e que precisa cada vez mais da força do trabalho intersetorial e da participação ativa da sociedade. Ela aproveitou a oportunidade para convidar o público a entrar em contato com as equipes para conhecer a fundo o serviço e abrirem seus corações e seus lares. O coordenador do serviço no instituto Forte, Wellison Nobre, afirmou que as famílias acolhedoras não são apenas voluntárias, mas sim parceiras na construção de uma política pública que muda caminhos.
O seminário contou ainda com a presença de Neto Picanço de Figueiredo, psicólogo e analista de promotoria do Núcleo de Assessoria Técnica Psicossocial (NAT) do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). Ele, que estuda o acolhimento familiar desde 2014, considera o serviço essencial por evidenciar o desenvolvimento de crianças e adolescentes que passam por ele. Para Figueiredo, o Serviço de Família Acolhedora oferta maiores possibilidades de desenvolvimento para os atendidos, quando comparado com o acolhimento institucional, pois existe afeto e atenção individualizada, sendo a melhor opção para aqueles que necessitam.
Crianças, adolescentes e seus traumas
O ponto alto do seminário foi a palestra de Raquel Hatcher, doutora em psicologia clínica e atuante na causa dos cuidados com crianças e adolescentes. Ela reforçou que, entre os benefícios do acolhimento familiar para os afastados da família de origem, incluem receber atenção individualizada, ter relacionamentos estáveis, disponibilidade afetiva, desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas, autonomia e preparação para a vida adulta. Além disso, o desenvolvimento saudável de uma criança se dá através do relacionamento com seus cuidadores através do apego seguro.
Hatcher reforça o quanto os traumas podem afetar o desenvolvimento cerebral de uma criança durante seu crescimento e que o cuidador é a escada que ajuda com estratégias para a criança avançar de andar. Nesse cenário, as famílias acolhedoras tem a oportunidade de ajudar a moldar o cérebro dessas crianças e adolescentes quando suprem essas necessidades básicas, proporcionando experiências positivas ao se fazerem presentes e criarem conexão.
Acolhimento temporário
O Serviço de Família Acolhedora trabalha o acolhimento de crianças e adolescentes afastadas de suas famílias por determinação judicial. A ideia é oferecer a eles, temporariamente, um ambiente seguro e acolhedor para o seu bem-estar e desenvolvimento saudável. O serviço é uma alternativa ao abrigo institucional na oferta de cuidado individualizado em um lar que priorize a convivência familiar e comunitária para, assim, estimular o seu desenvolvimento pessoal através de uma rotina que garanta acesso à educação e à socialização.
Famílias interessadas em abrir seus lares para acolher podem conhecer melhor o serviço através do link https://www.guarulhos.sp.gov.br/familiaacolhedora.
Imagem: Umaitá Pires/PMG
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